19 de jun. de 2015

HUMANIZAÇÃO NA SAÚDE

Para quem não teve conhecimento, compartilho alguns trechos da entrevista concedida pelo Dr. Cláudio Lottenberg à Revista Veja, Edição 2430 - Páginas Amarelas.

Dr. Cláudio é médico oftalmologista e presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

Algumas de suas falas chamaram-me a atenção:

"É crucial lidar com o doente a partir de suas fraquezas. E não é possível agir desse modo se o profissional não admitir as próprias fragilidades."

"A relação médico e paciente precisa ser mais humanizada. Não se trata de pegar na mão do doente nem de puxar a cadeira para ele se sentar. Envolve diversos fatores, todos com um único objetivo - pô-lo no centro das atenções, sempre e cada vez mais."

"Chega de arrogância. O médico é um individualista. Não divide informações."

"Hoje é praticamente impossível o profissional dominar todas as informações com o grande avanço ocorrido na medicina."

Quando questionado sobre como se sentiu ao ser submetido a uma cirurgia de catarata e o que isso mudou em sua vida, ele assim respondeu:

"Essa experiência mudou a minha vida pessoal e profissional. Não há dúvida de que me tornei um médico muito melhor. Estou mais próximo dos meus pacientes. Agora valorizo absolutamente todas as tristezas e angústias do doente, mesmo sabendo que esses sentimentos não vão repercutir na doença em si. Hoje me dedico com a mesma intensidade a discutir com o paciente sobre uma simples aflição e um procedimento cirúrgico.

As falas do Dr. Cláudio vem ao encontro do que foi discutido no Congresso Internacional de Humanidades & Humanização em Saúde, realizado nos dias 31 de março e 1 de abril de 2014, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Hospital das Clínicas, do qual tive a oportunidade de participar.

Após receber o diagnosticado de mieloma múltiplo em 21 de novembro de 2011 tornei-me um ativista na causa dos pacientes acometidos com este tipo raro e desconhecido de câncer na medula óssea, criando o Projeto de Divulgação e Conscientização sobre o Mieloma Múltiplo e idealizando os encontros Café & Acolhimento de São Bernardo do Campo.

No início da investigação e descobrimento do câncer deparei-me com um médico - ao que parecia - muito competente no assunto, porém, de uma antipatia de grosseria fora do normal.

Esta situação levou-me, por influência da minha esposa, buscar um outro profissional. E assim o fiz.

Graças a Deus acertei na nova escolha e pude fazer um tratamento bastante tranquilo pois, nestes novos profissionais encontrei carinho, respeito e humanidade.

Infelizmente são poucos os pacientes que têm a mesma sorte que eu. Ouço muitos relatos de pacientes insatisfeitos com os profissionais que lhes assistem e o ponto crucial é justamente a empatia, ou falta dela.

Não estou aqui para condenar todos os profissionais, como toda regra, há suas exceções.

Como dito nas linhas passadas, encontrei uma boa equipe e fiquei feliz com ela.

Mas, ainda há muitos profissionais necessitando de uma reciclagem na humanização, caso contrário não teria razão de ser o grandioso congresso realizado ano passado.

Parabéns ao Dr. Cláudio pela sinceridade de suas palavras.


Fica aqui meus votos de dias melhores e mais humanizados para todos os pacientes e familiares.

Abraço.

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