Para quem não teve conhecimento,
compartilho alguns trechos da entrevista concedida pelo Dr. Cláudio Lottenberg
à Revista Veja, Edição 2430 - Páginas Amarelas.
Dr. Cláudio é médico oftalmologista
e presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.
Algumas de suas falas chamaram-me a
atenção:
"É crucial lidar com o doente
a partir de suas fraquezas. E não é possível agir desse modo se o profissional
não admitir as próprias fragilidades."
"A relação médico e paciente
precisa ser mais humanizada. Não se trata de pegar na mão do doente nem de
puxar a cadeira para ele se sentar. Envolve diversos fatores, todos com um
único objetivo - pô-lo no centro das atenções, sempre e cada vez mais."
"Chega de arrogância. O médico
é um individualista. Não divide informações."
"Hoje é praticamente
impossível o profissional dominar todas as informações com o grande avanço
ocorrido na medicina."
Quando questionado sobre como se
sentiu ao ser submetido a uma cirurgia de catarata e o que isso mudou em sua
vida, ele assim respondeu:
"Essa experiência mudou a
minha vida pessoal e profissional. Não há dúvida de que me tornei um médico
muito melhor. Estou mais próximo dos meus pacientes. Agora valorizo
absolutamente todas as tristezas e angústias do doente, mesmo sabendo que esses
sentimentos não vão repercutir na doença em si. Hoje me dedico com a mesma intensidade
a discutir com o paciente sobre uma simples aflição e um procedimento
cirúrgico.
As falas do Dr. Cláudio vem ao
encontro do que foi discutido no Congresso Internacional de Humanidades &
Humanização em Saúde, realizado nos dias 31 de março e 1 de abril de 2014, pela
Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Hospital das Clínicas, do
qual tive a oportunidade de participar.
Após receber o diagnosticado de
mieloma múltiplo em 21 de novembro de 2011 tornei-me um ativista na causa dos
pacientes acometidos com este tipo raro e desconhecido de câncer na medula
óssea, criando o Projeto de Divulgação e Conscientização sobre o Mieloma
Múltiplo e idealizando os encontros Café & Acolhimento de São Bernardo do
Campo.
No início da investigação e
descobrimento do câncer deparei-me com um médico - ao que parecia - muito
competente no assunto, porém, de uma antipatia de grosseria fora do normal.
Esta situação levou-me, por
influência da minha esposa, buscar um outro profissional. E assim o fiz.
Graças a Deus acertei na nova
escolha e pude fazer um tratamento bastante tranquilo pois, nestes novos
profissionais encontrei carinho, respeito e humanidade.
Infelizmente são poucos os
pacientes que têm a mesma sorte que eu. Ouço muitos relatos de pacientes
insatisfeitos com os profissionais que lhes assistem e o ponto crucial é
justamente a empatia, ou falta dela.
Não estou aqui para condenar todos
os profissionais, como toda regra, há suas exceções.
Como dito nas linhas passadas,
encontrei uma boa equipe e fiquei feliz com ela.
Mas, ainda há muitos profissionais
necessitando de uma reciclagem na humanização, caso contrário não teria razão
de ser o grandioso congresso realizado ano passado.
Parabéns ao Dr. Cláudio pela
sinceridade de suas palavras.
Fica aqui meus votos de dias
melhores e mais humanizados para todos os pacientes e familiares.
Abraço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário